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Estrelinhas

dedico este cantinho as minhas estrelinhas que tanto amo

Lilypie 5th Birthday Ticker

25 dezembro 2008

A Dádiva

As Estrelinhas ficaram a vibrar ainda mais depois de terem feito o pacto com o tio.

Deixaram-no a escrever o livro com desenhos e cores e foram para casa fazer a escolha dos brinquedos.

─ O tio não se pode esquecer da cor verde, ─ disse uma das Estrelinhas muito concentrada. ─ é a minha cor preferida.

─ As minhas são a cor-de-rosa e a cor de laranja ─ disse a outra, não tirando os olhos da boneca que estava a colocar na caixa, quase cheia de brinquedos, com o rosto triste e a voz tremelicante.

─ Sabes mana, tenho pena de dar estes brinquedos. Gosto tanto deles!

E abraçava uma das suas bonequinhas preferidas.

─ Vou-te confessar uma coisa, ─ dizia a outra ─ também tenho pena, mas a avó está sempre a falar na palavra partilha e seria egoísmo da nossa parte ter-mos tantos brinquedos e não os partilharmos com quem não tem nenhum. O amiguinho imaginário também tem que descansar e depois, as outras estrelinhas ficarão tão felizes!..

─ Exactamente mana, e tive uma ideia genial!

­ ─ Conta, conta!

─ Podíamos falar com os nossos primos e amigos e se todos contribuírem, poderíamos visitar mais Estrelinhas.

─ Grande ideia! ─ anuiu a primeira, saltando de contente.

Enquanto as Estrelinhas andavam numa roda-viva, o tio procurava encontrar uma maneira adequada de satisfazer o pedido delas. Como poderia ele dizer certas coisas aos pais, verdades simples que eles precisavam de saber, sem os molestar e de modo a fazer com que na alma de cada um, um novo entendimento os fizesse proceder de forma correcta para com os filhos.

Numa simples frase poderia dizer tudo, mas nem todos se dão conta que é nas coisas simples, que está a magia da vida.

Silenciosamente, radiante, o lápis bailava entre os seus dedos dando vida à folha branca.

Desenhou umas estrelinhas a brilhar e outras apagadas, a seguir o arco-íris sobre o mar e por fim uma família.

Naquele pequeno livro ele mandava um recado. Não era difícil de decifrar…restava ao homem ter a sabedoria e o discernimento de saber celebrar a alegria.

Depois de terem tudo prontinho, desceram à terra com a lua, mas desta vez não vieram só as Estrelinhas; juntamente com elas muitas outras estrelinhas e cada uma, trazia um saco às costas.

Visitaram muitas casas, deixaram brinquedos, roupas e o livrinho mágico.

O tio de cima de uma nuvem observava e sorria.

O sorriso de uma criança é a esperança do amanhã.

As Estrelinhas regressaram a casa cansadinhas, mas felizes, e saltaram para a caminha, fechando logo os olhinhos brilhantes: uma nova manhã nascia.

O dia acordou branquinho e frio, mas as casas aqueciam com o calor dos corações, pais e filhos entrelaçados pela chama do Amor.

─ Estou a brilhar! ─ gritou uma estrelinha.

E no seu sonhar as Estrelinhas viram que se iam juntando a ela muitas e muitas mais estrelinhas.

22 dezembro 2008

Pedido ao Tio

Chegaram sorrateiramente e acomodaram-se no colo do Tio que as cingiu num abraço de ternura.

Já não as via há algum tempo e uma lágrima de saudade brotando-lhe dos olhos meigos escorreu-lhe pela barba, quase toda branca, que elas adoravam puxar.

─ Vamos suas marotinhas, não me puxem a barba, olhem que eu zango-me!

─ Ora Tio, não leves a mal, sabes que é o nosso jeito de te cumprimentarmos e dizermos o quanto gostamos de ti! ─ disse uma das Estrelinhas, beijando-o.

─ Eu sei, eu sei!

─ Nós só viemos para te vermos e conversarmos um pouco. ─ disse a outra Estrelinha, beijando-o também ─ Vem para o nosso quarto!

Pegaram nas mãos dele, uma de cada lado, e, sem lhe darem tempo de pronunciar uma resposta que já conheciam, puxaram-no para o quarto.

Os seus olhos eram como estrelinhas irradiando felicidade e aguardava serenamente o que elas lhe queriam dizer.

Uma das estrelinhas começou a contar, a partir do momento em que tinha nascido a ideia.

Falou, falou e não parava e, de repente, a outra estrelinha disse:

─ Agora sou eu!

No fim da narrativa disseram ao tio:

─ Precisamos da tua ajuda.

O pensamento do tio voava à medida que ouvia a aventura delas. O sonho voltou a marcar os seus passos….viu braços e abraços a distribuir por todo o lado.

Já tinha adivinhado o que as crianças queriam, mas fez de conta que não entendia.

─ Afinal o que querem de mim? ─ perguntou sorridente.

─ Queríamos que escrevesses um livrinho com algumas dicas importantes para os pais lerem. Mesmo que muitos pais não leiam, haverá sempre alguém.

─ Queríamos deixar em cada casa um livrinho e brinquedos. Há estrelinhas que não têm qualquer brinquedo a não ser o seu amiguinho imaginário.

─ Boa ideia, mãos à obra! Vamos fazer um pacto: eu escrevo o livrinho e as meninas escolhem os brinquedos que já não querem e os livrinhos.

─ Sim!

E com as cabecinhas povoadas de sonhos partiram contentes. Iam contar à vovó o pacto que tinham feito com o tio. Ela daria todo o apoio.

Toda a emoção contida se espraiaria em almas sequiosas de alimento quando recebessem os presentes.

Seriam milhões de estrelinhas sem luz que ansiavam viver em amor e união.

“Chega a mim o riso de crianças que brincam felizes ….

O sorriso de uma criança faz a minha alegria!”

E com estes pensamentos, o homem sonhador começou a escrever o livrinho.

Era uma quimera, talvez um dia, no tempo do devir…

16 dezembro 2008

Estrelinhas sem Luz

Eram duas Estrelinhas luminosas e sorridentes que cintilavam alegres pelo céu constelado.

De mãos dadas, viviam num mundo recheado de luz e eram tão iguais que as confundiam e elas riam do engano das pessoas.

Uma das estrelinhas tinha um sonho secreto: descer à terra e visitar as outras estrelinhas sem luz… e o sonho realizou-se.

Um dia resolveu contar o sonho à irmã que sorriu ao achar a ideia genial.

­­­ ─ Mana, somos pequeninas, como vamos chegar até lá?

A outra, que encontrava quase sempre solução para tudo, disse:

­ ─ Pensa que eu também vou pensar!

E pensaram e pensaram…

Levaram dias a magicar em como realizar aquele sonho secreto, até que um dia o céu estava tão limpo, tão transparente, que elas desenhavam belas imagens no céu e uma delas viu a Estrela da Aurora…

─ Achei! ─ gritou para a irmã.

­ ─ O que achaste? ─ perguntou a outra que estava a terminar o seu desenho.

­ ─ Vamos pedir à Estrela da Manhã que nos transporte e depois a Lua traz-nos de volta.

─ Muito bem, mana! ─ apoiou eufórica.

A Estrela da Manhã, acordou a terra num banho de luz clara e límpida.

­ ─ Vamos, dêem as mãos! ─ disse a Estrela da Manhã.

E elas desceram lentamente, olhando para tudo com muito interesse e memorizando o que viam e ouviam para contar aos pais de volta e, principalmente, ao tio que gostava tanto das estrelinhas apagadas.

Era muito cedo quando entraram numa casa e, vendo uma mãe estrela a falar muito alto, sentiram o coração apertado quando repararam numa estrelinha pequenina a chorar.

­ ─ Não vale a pena chorares, bebe o leite, depois veste-te, estou sem paciência! ─ virou costas e foi para a varanda fumar.

As Estrelinhas acenaram com a cabeça e disseram: “Não… não!..”, e saíram dali rapidamente.

Entraram noutra e fecharam os olhitos, ao depararem com uma cena muito triste:

Os pais de uma estrelinha puxavam-na pelos braços.

─ Ela vai comigo! ─ dizia o pai.

─ Nada disso, ela fica comigo! ─ retorquia a mãe.

Durante o dia entraram em várias casas e em quase todas notaram a falta de amor, de tempo e de paciência para as estrelinhas mais pequeninas.

A noite começou a cair e era a hora de regressar, mas antes, ainda passaram por uma outra casa e sorriram ao verem uma menina, no quarto, a descobrir o seu corpinho.

A porta do quarto abriu-se, esconderam-se rápido, e ouviram a mãe gritar com ela:

─ O que estás tu a fazer, tira daí a mão, é nojento!

As Estrelinhas saíram do esconderijo, trocaram olhares e voltaram a sorrir. Também elas iam descobrindo o seu corpo aos poucos.

­ ─ Vamos embora mana, já não aguento mais! ─ pediu a chorar ─ Nem ao menos uma estrelinha se vê a brilhar. Todos os pais lhes abafam a luz.

─ Tens razão, mas que podemos fazer? Tenhamos calma, ─ acrescentou numa reflexão de esperança, para dar alento à irmã ─ afinal há estrelinhas que brilham, as que estão perto de nós. Vamos só visitar mais uma, mana, e depois vamos embora.

E lá foram elas serpenteando com a sua luzinha.

Entraram numa casa, onde viram uma mãe muito atenta a ver a televisão. De repente, entrou uma estrelinha de pijama com um livro na mão.

─ Mãezinha, vens contar-me a historinha para adormecer?

─ Ora filha, vai-te deitar que eu daqui a pouco vou lá.

E a estrelinha voltou ao quarto com o livro debaixo do braço. Deitou-se e começou a falar com o amiguinho imaginário. A mãe continuou atenta à televisão.

─ Vamos, a lua já nos chama!

Durante o percurso foram a falar sobre o que tinham visto e, por fim, decidiram contar ao tio.

De mãos dadas e com a esperança acesa luziam de novo no seu lugar.

A minha fotografia
Nome:

Mãe de duas estrelinhas adoraveis!!!!!!!!!